Chet Baker

Chet Baker

Em 23. mar, 2011 por Clube do Jazz in Artigos

Chet Baker (Chesney Henry Baker Jr.) (Yale, Oklahoma, 23 de Dezembro de 1929 – Amsterdã, 13 de maio, 1988) foi um trompetista de jazz e cantor norte-americano.

Criado até os dez anos numa fazenda de Oklahoma, parte para Los Angeles no final dos anos 30, quando começa a estudar teoria musical. Chet Baker sempre foi influenciado por seu pai, guitarrista, de quem herdou a paixão pela música e de quem ganhou, aos 10 anos de idade, um trombone. Amante do Jazz, não tardou em conquistar o sucesso, sendo apontado como um dos melhores trompetistas do gênero logo em seu primeiro disco.

Ainda bem jovem, passou a integrar o grupo de renome da música americana da época. Seus primeiros trabalhos foram com a Vido Musso’s Band e com Stan Getz, porém Chet só conheceu o sucesso depois do convite de Charlie Parker (Bird) em 1951 para uma série de apresentações na costa ocidental. Em 1952 entrou para a banda de Gerry Mulligan, alcançando grande notoriedade com a primeira versão de “My Funny Valentine”. Entretanto, em razão dos problemas de Gerry com as drogas, o quarteto não teve vida longa, sustentando-se por menos de um ano.

O talento de Chet logo o transformaria num ídolo. Apresentou-se por toda América e Europa. Especialistas dividem a vasta obra do músico em duas fases: a cool, do início da sua carreira, mais ligada ao virtuosismo jazzístico e a segunda parte, a partir de 1957, quando a sensibilidade na interpretação torna-se ainda mais evidente.

Avesso às partituras, não deixou, entretanto, de integrar as grandes bands americanas. Baker era dotado de extrema criatividade, inaugurando um modo de cantar no qual a voz era quase sussurrada. Chet teria exercido grande influência em músicos brasileiros, como João Gilberto e Carlos Lyra, alguns dos grandes nomes da Bossa Nova. Esta versão é, contudo, bastante controvertida. Sizão Machado, numa visão chauvinista, chegou a dizer, certa feita, que a Bossa Nova é que teria influenciado os músicos americanos, e não o contrário.

Para tocar as músicas pedia apenas o tom. Econômico nas notas (ao contrário de outros trompetistas que preferiam o virtuosismo, como Dizzy Gillespie), Chet improvisava com sentimento. Certo dia, deram-lhe o tom errado de uma música de propósito, e mesmo assim Chet Baker conseguiu encontrar um caminho harmônico. Valorizava as frases melódicas com notas longas e encorpadas, o que acabou lhe valendo o rótulo de cool

No começo dos anos 60, Chet realizou diversas experiências com o flugelhorn, instrumento de timbre macio e aveludado.

No entanto, sua gloriosa trajetória na música não lhe rendeu uma vida segura, afastada de problemas. Por causa de seus envolvimentos com as drogas, especialmente com a heroína (durante suas crises de abstinência, que eram monitoradas por médicos, usava metadona), Chet foi preso muitas vezes. Conta-se que chegou a ser espancado por não ter pago uma dívida contraída com a compra de drogas. Este episódio teria lhe rendido a perda de vários dentes.

Para alguns especialistas, as falhas em sua arcada dentária teriam contribuído para uma inevitável piora de sua performance. Contudo, para outros, contraditoriamente, tal fato teria obrigado o músico a se enveredar por outras vertentes e nuances do instrumento, alcançando, deste modo, sonoridades ímpares e inconfundíveis.

Em 1985, Chet Baker esteve no Brasil para duas apresentações na primeira edição do Free Jazz Festival. A banda era formada pelo pianista brasileiro Rique Pantoja (com quem Chet já havia gravado um disco no início dos anos 80 – Chet Baker & The Boto Brasilian Quartet), pelo baixista Sizão Machado, pelo baterista americano Bob Wyatt e pelo flautista Nicola Stilo. A primeira apresentação, no Hotel Nacional, na cidade do Rio de Janeiro, foi considerada magnífica por muitos e por alguns como decepcionante, mas a apresentação em São Paulo, tida por alguns como um sucesso e por outros como decepcionante, quase entra para a história do Jazz pela porta dos fundos: depois do espetáculo, já em seu quarto, no Maksoud Plaza, Chet surrupiou a maleta do médico que o acompanhava e tomou doses cavalares das drogas que lhe estavam sendo administradas para controlar as crises de abstinência. Chet teve uma overdose e quase morreu.

Neste mesmo ano, iniciou com Rique Pantoja, em Roma, as gravações de Rique Pantoja & Chet Baker (WEA, Musiquim), que terminariam em São Paulo, no ano de 1987. O LP foi um sucesso de crítica.

Em maio de 1983, durante uma de suas inúmeras viagens à Holanda, produziu gravações com o pianista Michael Graillier e com o baixista italiano Ricardo Del Fra, parceiro do baterista brasileiro Afonso Vieira.

Baker morreria em Amsterdã, de forma trágica e misteriosa, na madrugada de 13 de Maio de 1988, quando despencou da janela do hotel. Até hoje resistem muitas controvérsias sobre a causa de sua partida: suicídio ou acidente?

Chet foi enterrado no “Inglewood Park Cemetery”, em Los Angeles.

DISCOGRAFIA

* 1953 Haig ’53: the other pianoless quartet
* 1953 L.A get together
* 1953 Chet Baker & strings [bonus tracks]
* 1953 Chet Baker sings
* 1953 Compositions and arrangements by Jack Montrose
* 1953 Grey December
* 1953 Quartet live, vol. 1: This time the dream’s on me
* 1953 Witch doctor
* 1954 Chet Baker big band
* 1954 Chet Baker sextet
* 1954 Jazz at Ann Arbor
* 1954 My funny Valentine
* 1954 Quartet live, vol. 2: Out of nowhere
* 1954 Quartet live, vol. 3: My old flame
* 1954 The trumpet artistry of Chet Baker
* 1955 Chet Baker sings and plays with Bud Shank, Russ Freeman & strings
* 1955 In Europe,1955
* 1956 At the Forum Theater
* 1956 Chet Baker & Crew
* 1956 Chet Baker cools out
* 1956 Chet Baker in Europe
* 1956 Chet Baker sings
* 1956 Live in Europe1956
* 1956 Playboys
* 1956 Quartet: Russ Freeman/Chet Baker
* 1956 The James Dean story
* 1957 Embraceable you
* 1957 Pretty/groovy
* 1958 Chet The lyrical trumpet of Chet Baker
* 1958 Chet Baker in New York
* 1958 Chet Baker introduces Johnny Pace
* 1958 Chet Baker meets Stan Getz
* 1958 Chet Baker sings it could happen to you
* 1958 Theme music from « The James Dean story »
* 1959 Chet
* 1959 Chet Baker in Milan
* 1959 Chet Baker plays
* 1959 Chet Baker plays the best of Lerner and Loewe
* 1959 Chet Baker with fifty Italian strings
* 1961 Picture of heath
* 1962 Chet is back!
* 1962 Chet is back!
* 1962 Somewhere over the rainbow
* 1964 The most important jazz álbum of1964/65
* 1964 Brussels1964
* 1964 Chet Baker sings and plays
* 1964 Stella by starlight
* 1965 Baby breeze
* 1965 Baker’s holiday: plays & sings Billie Holiday
* 1965 Boppin’ with the Chet Baker quintet
* 1965 Comin’ on with the Chet Baker quintet
* 1965 Cool burnin’ with the Chet Baker quintet
* 1965 Groovin’ with the Chet Baker quintet
* 1965 Smokin’
* 1966 A taste of tequila
* 1966 Hats off!!!
* 1966 Into my life
* 1966 Live at Pueblo, Colorado1966
* 1966 Quietly, there
* 1966 Brazil Brazil Brazil (com Bud Shank)
* 1967 Polka dots and moonbeams
* 1969 Albert’s house
* 1970 Blood, Chet & tears
* 1974 She was too good to me
* 1977 Once upon a summertime
* 1977 The best thing for you
* 1977 The incredible Chet Baker plays and sings
* 1978 At le Dreher
* 1978 Broken wing
* 1978 Live at Nick’s
* 1978 Live in Chateauvallon,1978
* 1978 Sings, plays: Live at the Keystone Korner
* 1978 Two a day
* 1979 79
* 1979 Ballads for two
* 1979 Chet Baker with Wolfgang Lackerschmid
* 1979 Day break
* 1979 Live in Montmartre, vol. 2
* 1979 No problem
* 1979 Someday my prince will come
* 1979 The touch of your lips
* 1979 This is always
* 1979 Together
* 1979 With special guests featuring Coryell, Williams & Williams
* 1980 Burnin’ at Backstreet
* 1980 Chet Baker and the Boto Brasilian Quartet
* 1980 Just friends
* 1980 Live at the Subway, Vol. 1
* 1980 Live at the Subway, Vol. 2
* 1980 Night bird
* 1981 Live at Fat Tuesday’s
* 1981 Live at the Paris Festival
* 1981 Live in Paris
* 1982 In concert
* 1982 Out of nowhere
* 1982 Peace
* 1982 Studio Trieste
* 1983 At Capolinea
* 1983 Club 21 Paris, Vol. 1
* 1983 Live at New Morning
* 1983 Live in Sweden with Åke Johansson trio
* 1983 Mister B
* 1983 Mr. B
* 1983 September song
* 1983 Star eyes
* 1983 The improviser
* 1984 Blues for a reason
* 1984 Line for Lyons
* 1985 Candy
* 1985 Chet Baker in Bologna
* 1985 Chet’s choice
* 1985 Diane: Chet Baker and Paul Bley
* 1985 Hazy hugs
* 1985 Live from the moonlight
* 1985 Misty
* 1985 My foolish heart
* 1985 Sings again
* 1985 Strollin’
* 1985 Symphonically
* 1985 There’ll never be another you
* 1985 Time after time
* 1985 Tune up
* 1986 As Time Goes By
* 1986 As time goes by [love songs]
* 1986 Chet Baker featuring Van Morrison live at Ronnie Scott’s
* 1986 Live at Ronnie Scott’s
* 1986 When sunny gets blue
* 1987 A night at the Shalimar
* 1987 Chet Baker in Tokyo
* 1987 Chet Baker sings and plays from the film « Let’s get lost »
* 1987 Four: live in Tokyo, vol. 2
* 1987 Memories: Chet Baker in Tokyo
* 1987 Welcome back
* 1988 Blåmann! Blåmann!
* 1988 Chet On Poetry
* 1988 Farewell
* 1988 In memory of
* 1988 Little girl blue
* 1988 My favourite songs, vol. 2: Straight from the heart
* 1988 My favourite songs, vols. 1-2: The last great concert
* 1988 Oh you crazy moon
* 1988 Straight from the heart
* 1988 The heart of the ballad
* 1989 The best of Chet Baker sings
* 1997 Jazz Profile: Baker, Chet

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